Meio blogueira e meio acadêmica: concluindo...

by - quarta-feira, julho 31, 2019



Já faz um tempo desde meu último post sobre o Clube do Livro da Carina, mas não esqueci que fiquei devendo a parte 2 do post que publiquei no mês passado. Então aqui estamos nós.

Terminei o post anterior dizendo que considero a autoria da Carina como uma autoria astronauta por ela saber e conseguir lidar com as coerções do sistema, por não possuir uma autoria livre de mediações e fronteiras (afinal, seu contrato editorial é, ao mesmo tempo, uma mediação e uma fronteira) e por sua trajetória não estar unicamente associada à circulação de seus textos. E o que isso tem a ver com o Clube da Carina?

Bom, vejamos. Me parece que é um movimento de agregação de valor simbólico recíproco aqui: para a autora é interessante estar como curadora de um Clube [que, aliás, leva o seu nome], pois isso a estabelece como um ponto de referência (talvez um auctor ao estilo do que aponta Maingueneau) alguém que filtra, a partir de seus gostos, o que será enviado para os leitores – o que deixa implícito que ela possui "bom gosto" diante do público –, para o Clube, ter o nome de uma autora estabelecida no mercado é como um selo de garantia de que entregará um bom serviço para seus assinantes. Assim, a autora ganha valor simbólico com o Clube ao mesmo tempo que passa (ou coloca?) valor simbólico para ele (nele).

Depois de quatro caixas enviadas e três lives de discussão feitas – e das muitas observações do funcionamento deste Clube e de alguns outros [que já estavam ativos antes e que foram criados depois que comecei a postar sobre isso aqui] –, das leituras que fiz ao longo do semestre (muitas delas acabei esquecendo de contar aqui, mas de uma forma ou de outra continuam ecoando nos posts) e das reflexões que fui construindo com o passar dos meses, percebi que o Clube da Carina e as caixas/clubes de leitura em geral compõem nossa cultura: as caixas com os livros e os mimos (ou itens temáticos, chame como quiser) não são essenciais para a nossa sobrevivência, elas transcendem nossa necessidade imediata, por isso fazem parte do que consideramos cultura. E como um objeto cultural, é mais um objeto subjetivante, que informa aos demais quem são seus assinantes – novamente, em geral mulheres jovem-adultas que gostam de chick-lit.

Com isso, chegamos ao fechamento desta (longa?) reflexão. Quando comecei a escrever sobre o Clube não tinha certeza de onde chegaria com as observações e reflexões, mas me parece que consegui traçar uma linha de raciocínio decente, ainda que nada organizada. Como conclusão (por enquanto porque quero melhorar isso em breve), posso dizer que a Carina Rissi possui uma autoria especializada, seu Clube lhe agrega valor ao mesmo tempo que recebe valor de sua personalidade como autora e participa ao mesmo tempo das verticalidades e das horizontalidades do mercado editorial. Vou explicar este trecho final melhor, porque deixando solto assim não fará sentido: as horizontalidades são as relações que são estabelecidas no viver comum e são afetadas pelas verticalidades, que são informações exógenas, de outros lugares. Quando digo que o Clube participa das horizontalidades e das verticalidades, quero dizer que sua presença incide influência em certa cultura (então uma verticalidade) e também participa do que é comum entre certos círculos (horizontalidade), ele é uma influência nas compras dos leitores da Carina, mas uma prática mercadológica (?) comum no mercado editorial. Faz sentido?

Se não fizer, comenta aqui no post e a gente continua conversando.

Até breve! 

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