Doki Livros | Roly Poly: A História de Phanta, Daniel Semanas

by - sexta-feira, janeiro 25, 2019

Uma das coisas que mais me encantam (ainda que depois de muitos anos) é a capacidade da literatura nos surpreender em detalhes e formas de ver o mundo. A primeira vez que li uma matéria sobre Roly Poly me vi interessada na história não só pelas óbvias referências ao k-pop e pelos aspectos psicodélicos bem trabalhados, mas pela forma como consegue lidar com um aspecto do nosso mundo atual que parece tão corriqueiro no nosso cotidiano. Isso sem falar no objeto lindo que é esta HQ. Seu formato é mais parecido com livros de arte do que de histórias em quadrinho (pelo menos, das que estou acostumada a ler) e sua qualidade de impressão, cores e papel condiz completamente com o que é proposto. Essa forma "livro" sempre me surpreende, porque pode passar despercebida por todo mundo, mas é essencial.


Então, antes de perder o foco, vamos ao ponto. Roly Poly: A História de Phanta (e aqui cabe a relação com o refrigerante Fanta pelo uso do tom de laranja) traz a trama de uma jovem mulher que está em uma eterna competição com seu irmão pela maior popularidade no meio virtual - quem tem mais seguidores no Instagram, quem tem mais curtidas nas fotos. Ela mora em Neo-Seul e vive a vida no modo hard. E no que parecia mais uma noite comum, ela entra em lugar que parece de outro mundo para conseguir algumas estrelas que concedem desejos - uma espécie de alucinógeno que torna realidade um desejo de seu usuário. Depois de conseguir as estrelas, ela precisa lutar para conseguir sair daquele lugar e alcançar seus objetivos.

Confesso que nas primeiras páginas fiquei um pouco sobrecarregada com as cores e informações da história - é uma paleta de cores maravilhosa -, mas depois de entender o que Phanta queria (ser uma celebridade) e como ela tentaria fazer isso (com as estrelas), o passeio foi muito mais interessante. A inspiração na pop-art, no k-pop, nos quadros de video game, nas formas de lidar com peças de moda são extremamente bem incorporadas em todos os detalhes de sua construção. Contando sua história em vários momentos sem nem precisar de palavras (com imagens que se assemelham ao feed do Instagram, fichas técnicas e aquelas imagens de "o que tem na minha bolsa" que nos acostumamos a postar e ver em influencers) fica bem claro que Daniel Semanas sabia o que estava fazendo. São essas informações, que normalmente não são apresentas aos leitores, que são detalhes primorosos.

Obviamente não sou especialista em construção de histórias em quadrinhos, mas entendo de construção de narrativa. E a forma como a narrativa de Phanta é tratada é muito consistente e com ritmo crescente. Semanas não perde a linha da trama, mesmo quando não sabemos o que está acontecendo com a personagem, e consegue trazer temas atuais ao universo futurístico (ainda que não tão longe no futuro). Aqui temos uma percepção de mundo muito crua, muito real. Pode parecer bobo acompanhar todas as façanhas que Phanta precisa fazer para virar uma celebridade, mas quando paramos por um momento percebemos que é, de uma forma ou de outra, o que muitas pessoas estão buscando atualmente - quem tem mais curtidas na fanpage, quem tem mais seguidores no Twitter, mais curtidas e seguidores no Instagram. Estamos todos (sabendo disso ou não) buscando por um lugar no meio das pessoas com milhares de seguidores, não estamos? E Phanta leva essa sede até as últimas consequências, mostrando não só uma vontade sem fim, mas uma garra e empenho gigantes.

Não temos muitos outros personagens além de Phanta, neste primeiro volume sabemos que ela possui um irmão e mãe, uma amiga que a envia até o local onde ela pode conseguir as estrelas dos desejos e as integrantes de um grupo de k-pop (além dos personagens"figurantes"), mas nada muito aprofundado. O foco aqui é mostrar Phanta provando a si mesma e entrando nessa jornada psicodélica. Essa jornada mostra que, se você acreditar de verdade, pode fazer o que quiser - porque é sua crença em si mesmo que te empurra para frente, te leva a fazer o que precisa ser feito.

Em geral, além de me lembrar um clipe do 2NE1 (e alguns do T-ara também) a cada nova página, Roly Poly (que remete a uma música do T-ara) me deixou com aquele gosto de quero mais com seu final pronto para uma sequência (que eu sinceramente espero estar nas cartas para o futuro).

E antes de te dizer "até breve", acho válido deixar aqui um dos meus MVs preferidos do 2NE1 (como morro de saudades delas juntas 😭), afinal, relembrar é viver.


Até breve! 

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8 comentários

  1. Adorei a foto da resenha. Top top top!!!
    Acho que você ter experiencia em construção de narrativa te dá espaço, direito e credibilidade para entender sobre as narrativas que são desenvolvidas em outras plataformas. Não tenho experiencia com quadrinhos, mas não acredito que seja tão peculiar assim. Fiquei curiosa com este aqui, inclusive pelo ritmo crescente que você pontuou.
    Beijos

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  2. Olá!
    Quadrinhos não é o meu forte. Mas essa semana estive no MIS (SP), numa Exposição enorme sobre quadrinhos do mundo todo e de todos os tempos e passei a pensar no assunto. Agora com a seu resenha, vou pensar mais.
    Ótima dica!

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  3. Olá!
    Eu ainda não conheço as referências de K-POP, não me sinto atraída, mas já pude perceber o quanto caiu no gosto do público. Achei bem interessante essa HQ principalmente pelo colorido. Talvez me sentiria um pouco cansada com a paleta de cores ao longo da leitura, mas gostei de saber mais sobre a sua leitura e por ter ficado com gostinho de quero mais.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  4. Ola!!

    Infelizmente a cultura coreana não é muito o meu forte, assim como quadrinhos, então, acredito que esse não seja um livro muito interessante pra mim. Apesar de ter achado sua resenha incrivel e achado esse colorido sensacional

    beijos

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  5. Oi, tudo bem?
    Eu confesso que nunca fui muito ligada em k-pop e também não tenho o hábito de ler quadrinhos, por isso, ainda não conhecia esse. Confesso que não é uma leitura que me atraia muito, mas fico feliz que você tenha gostado da leitura e que a trama tenha sido construída de maneira consistente. Acredito que, para quem tem interesse nesse universo e goste de ler quadrinhos, deve ser uma ótima indicação. Adorei a resenha!
    Beijos!

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  6. Olá, tudo bem?

    Achei o livro bem bonito, as cores e tal, mas confesso que não curto esse estilo, a cultura deles não me é muito atrativa, não sei explicar, também confesso que nunca tentei ler algo nesse estilo, quem sabe daqui m tempo, quem sabe.

    Beijo.

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  7. Oi oi querida!
    recentemente eu comecei a sair da minha zona de conforto e comecei a ler sobre HQs e quadrinhos, e após algum tempo percebi que eles contam muito mais que histórias. Esse quadrinho me lembrou um que li recentemente e me fez rir chorar na mesma intensidade (não me pergunte o porque). O enredo em que a autora criou e desenvolveu Phanta nessa premissa de cotidiano e dialetos, me fez querer o mais rápido possível.

    Beijoss, Enjoy Books

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  8. Oi tudo bem?
    Adorei a proposta do livro, achei bem interessante e com uma trama aparentemente envolvente, fiquei curiosa para conferir a explosão de cores
    bjos
    Pah
    Lendo e Escrevendo

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