Doki Livros | Professor Feelgood, Leisa Rayven

Quando li a sinopse desta história, fiquei intrigada com a forma como a autora iria lidar com a questão da "escrita por encomenda" de uma celebridade do Instagram e conforme os capítulos foram passando, me vi completamente envolvida não só na problemática do processo de escrita, mas em todo o contexto dos personagens. E, deixe-me te dizer, esta foi uma leitura e tanto.


Comecei a ler Professor Feelgood sem saber exatamente o que esperar porque não li o primeiro volume de Masters of Love, Sr. Romance - irei corrigir isso nos próximos dias porque não consegui me segurar e passei na livraria. Mas por serem histórias praticamente independentes, apesar dos spoilers leves sobre o final do primeiro volume (que, sendo sincera, não eram bem spoilers), não tive nenhum problema em me divertir e me envolver com a trama de Asha e Jacob.

Temos aqui, então, a história de Asha Tate, uma assistente editorial que para conseguir ser promovida precisa encontrar o novo best-seller que irá salvar a editora em que trabalha. Ela vê sua chance chegar quando tem a ideia de convidar um homem, autointitulado Professor Feelgood, que acompanha no Instagram a publicar um livro - com base em seus milhões de seguidores e na profundidade das palavras de seus poemas e imagens, ela sabe que qualquer coisa que ele publicasse seria um sucesso. A partir disso acompanhamos os dois, Asha e Jake, o Professor Feelgood, tentando trabalhar na escrita de um livro e tateando ao redor de seus problemas do passado - porque é lógico que o Professor seria o ex-melhor amigo dela (quem não adora esse tipo de drama, não é mesmo?).

Asha é uma personagem muito interessante e complexa - e se você já leu Mr. Romance, sabe que ela é irmã de Eden, a protagonista do volume anterior. Acompanhar seu ponto de vista é simplesmente uma delícia porque ela é uma personagem com quem podemos nos relaciona/ver completamente. Ela é uma profissional dedicada e com humor afiado que precisa lidar com os avanços indesejados de um colega de trabalho; é uma irmã e amiga muito boa e presente. Mas por uma série de questões, ela não consegue se envolver fisicamente com seus namorados e se sente frustrada e quebrada por isso - e a autora conseguir tratar deste tema de forma tão precisa e real me deixou extremamente satisfeita porque é algo pelo qual muitas mulheres passam sem entender o por quê.

Venha pra mamãe, Professor Músculos do Pôrno Literário. Deixe-me desfrutar da sua genialidade. (p. 33)

E o que dizer de Jacob? Nosso Professor Feelgood nos faz sentir bem e é daqueles personagens que esquentam e esfriam, mas de uma maneira boa. Completamente dentro da categoria de homens bonitos por fora e por dentro, Jake dá várias lições de vida e pontos de vista sobre o amor que me fizeram parar e pensar na minha própria forma de ver o amor. Sua raiva e frustração são quase palpáveis em suas palavras e é óbvio que em vários momentos ele simplesmente não consegue dizer o que quer - e ficamos esperando o momento em que ele finalmente vai colocar seus pensamentos para fora. Ele e Asha passam boa parte da trama brigando um com o outro e nos deixando nas pontas dos pés para saber se em algum momento haverá uma oportunidade para eles se acertarem. 

Olhando esse baú de palavras, me sinto como um maconheiro que acabou de achar um estoque inesperado e gigante do melhor haxixe. (p. 178)
O progresso do relacionamento dos dois se dá no ritmo certo para que o passar dos dias na história fizesse sentido dentro do proposto pela premissa do enredo. Temos então o ritmo e o tom certos para uma história de amor com personagens característicos da nossa realidade - instagramers, profissionais da área do livro, românticas e racionais.

Eu não poderia deixar de mencionar Joanna, a amiga e companheira de trabalho de Asha. Jo é a responsável por diálogos maravilhosos e histórias divertidas e extraordinárias para qualquer outra pessoa que não seja ela. Sempre nos momentos certos para ajudar Asha, a história não seria a mesma sem ela. De um jeito muito alegre e com filosofias de vida que nos fazem abrir os olhos para certos detalhes que nunca pensamos, ela não precisa se esforçar para conquistar seu espaço dentro da trama.

Você não deveria ter que lutar por amor, Asha. Esse é todo o ponto. Se duas pessoas se amam, não deveria existir nada que as mantivesse separadas. Mas isso só funciona se as duas se sentem da mesma forma, ao  mesmo tempo. E não importa quão romântica você seja, você precisa admitir que as chances de isso acontecer são raras. (p. 212)

Me parece redundante dizer isso, mas adorei cada página deste livro. A história de amor entre Asha e o Professor é daquelas que faltam palavras para descrever e que deixam uma lição a ser aprendida para os personagens e para quem lê: que, mesmo entre toda a mágoa, ressentimento e raiva, se há uma conexão entre duas pessoas, ela não pode ser negada por muito tempo.


Além de trazer um romance bem escrito e organizado, a autora consegue tratar de dois temas que me interessam bastante: o processo de escrita de um livro e a venda de livros "voltados ao público feminino". É extremamente comum o pensamento de que a escrita de um livro é um ato rodeado de ações surpreendentes, com musas inspiradoras e tudo o mais, mas a verdade verdadeira é que escrever um livro demanda esforço e vários passos de edição e revisão para corrigir furos, aparar pontas, melhorar cenas - e mostrar isso em um romance é tão interessante que nem consigo explicar com todos os detalhes que o tema merecia. E sobre os "livros de mulherzinha", nada melhor do que a voz de Asha para apontar um fato que precisa ser mostrado uma e outra vez:

Se você já tivesse lido um livro de romance, Devin, saberia que há muito mais neles do que só erotismo. Eles empoderam e inspiram as mulheres. Eles confortam e, sim, às vezes excitam. Não consigo acreditar que você tenha tantos preconceitos a respeito de um gênero inteiro, especialmente considerando que esses "romances ruins" são o que mantêm essa editora funcionando. Ano após ano, as vendas de romances comprovam que o poder de compra das mulheres é... (p. 24)

Leisa Rayven conduz sua trama de forma suave e divertida. Os diálogos, pensamentos e ações de seus personagens são extremamente reais e fazem com que o leitor se reconheça nas páginas em diversos momentos. É uma leitura leve, gostosa e de aquecer o coração, resumindo, é tudo o que queremos quando escolhemos um romance para ler.

Para finalizar, não posso deixar de agradecer a Globo Livros/GloboAlt pelo envio do meu exemplar com um kit lindão (a-m-e-i a sacola e estou usando sempre que posso).

Existe um ditado que diz que o amor é só uma amizade que pegou fogo, e ele não podia ser mais verdadeiro. (p. 296)

Você pode ter um Professor Feelgood para chamar de seu e ajudar o blog a continuar a crescer comprando seu exemplar neste link.

Até breve! 

8 comentários

  1. Eu ainda não li nada dessa autora, mas tenho muita vontade. Tenho Meu Romeu na estante e mal posso esperar para conferir. Sobre esse livro, já li algumas resenhas que me deixaram com vontade de ler também. Gostei bastante que traz um pouco do mercado editorial na história.
    beijos

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  2. Não conheço a autora, nem a obra citada, ou mesmo Professor Fellgood. Esse livro não faz parte do meu círculo de interesses literários, mas, como você, também gosto de livros metalinguísticos como esse, acho deveras interessante. =)

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  3. Olá!
    Já tem um tempinho que vi o lançamento desse livro e fiquei mega curiosa! Já li outros livros da autora, embora tenha achado Meu Romeu um pouco forçado, quero acompanhar essa história, parece muito envolvente.
    Bjos
    Lucy - Por essas páginas

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  4. Olá!
    Quando vi que esse livro abordava também sobre processo de escrita e a produção de livros, assim como sobre como se manter no mercado tão competitivo, tornando-se envolvente, fiquei muito curiosa. Aproveitei e adquiri um ebook, agora quero aproveitar as férias do trabalho para poder conhecer esses personagens.
    Por sua resenha certamente vou gostar.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  5. Olá, tudo bem?

    Eu (Yvens) não conhecia a autora e o livro, achei bem interessa premissa e gostei tanto das citações como da sua impressão. Parece ser realmente uma leitura leve e envolvente. Gostei das fotos, ficaram lindas.
    Abraço!

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  6. Oie!
    Eu ainda não li nenhum livro da autora, mas só leio elogios sobre os livros. Com certeza, vou fazer a leitura desse romance, assim como todos já publicados no Brasil.
    Acredito que vou ficar viciado na narrativa da autora.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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  7. Oi Vitória! Tudo bem?
    Logo que eu vi o título da resenha, soltei uma risada daquelas e ri mais ainda quando li a resenha, porque achei genial o trocadilho com a profissão exercida por ele. O que, porém, me chamou mais atenção foi a mistura de New Adult com Metalinguagem, com certeza um modo de atrair o meu interesse. Excelente resenha.
    Abraços e beijos da Lady Trotsky...
    http://www.galaxiadeideias.com/
    http://osvampirosportenhos.blogspot.com

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  8. Olá, tudo bom?
    Já tinha lido algumas resenhas desse livro, mas confesso que foi a sua que fez com que tivesse vontade de lê-lo. o romance do livro parece ser legal e tudo mais, mas foi saber que este enredo nos mostra como é o processo do surgimento de um livro, a forma como tudo funciona desde o autor a editora, me deixou super intrigada. Já acho o assunto interessante por si só, encontrá-lo em um livro deve ser fantástico.
    Dica mais que anotada!
    Beijos!

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