sobre ansiedades e reticências

terça-feira, maio 15, 2018

esse é mais um daqueles posts um pouco pessoais demais, um pouco dentro do meu coração demais, um pouco sincero demais, um pouco desarmado demais. Esse é mais um daqueles posts que você pode simplesmente pular e esperar pela próxima resenha ou indicação de dorama.

Foto: Linh Pham - Unsplash.
eu mudei de apartamento há pouco mais de uma semana. Passei pouco mais de dois anos no meu prédio antigo e foram meses e mais meses estressantes por n razões (razões não só envolvendo a universidade) e estava esperançosa de que no apartamento novo as coisas melhorassem. Não melhoraram tanto assim, mas eu vou levando porque não há muito mais que eu possa fazer -- e apesar dessas semanas de férias que tirei do blog, o mundo não para e me espera ficar feliz. Então, tenho estado bastante ansiosa nos últimos muitos meses.

a ansiedade é uma coisa engraçada: ela te empurra para fazer tudo o que você mais precisa em tempo mais do que hábil, mas ela também não deixa a sua cabeça desligar ou as suas mãos ficarem paradas. É um sentimento estranho e perturbador -- eu roí todas as minhas unhas, eu machuquei todos os meus dedos sem perceber que estava puxando as pelinhas, eu não dormi por meses. E eu cheguei no meu limite. E me afastei do blog, dos doramas, das playlists diferentonas para estudar -- das coisas que fazem parte do meu cotidiano, que me deixam bem, que me fazem feliz. Coloquei reticências nesse parágrafo da minha vida e fiquei esperado pelo momento certo para voltar a escrever mais linhas nele.

as reticências são uma pontuação interessante. Elas indicam alguma coisa que ainda está para ser terminada e que ficou ali, bem na sua cara, omitindo algo mais que poderia ser escrito ou feito e que simplesmente não foi. É um parar no meio do meio do caminho. Foi exatamente isso que fiz, parei uma parte de mim mesma e segui apenas com o que ficou. Essa foi uma experiência e tanto.

vou confessar que essas semanas longe do blog foram bem-vindas e ao mesmo tempo angustiantes. Eu sabia que estava bagunçando todo o cronograma que havia feito para o mês (vocês terão várias resenhas nas próximas semanas por isso), mas também não conseguia encontrar vontade em mim para abrir uma aba no navegador e começar a escrever um post novo. Fiz tudo o que precisava em todos os outros aspectos da minha vida: arrumei minhas coisas para mudar, mudei de apartamento, arrumei minhas coisas no prédio novo, li e estudei quase tudo o que precisava para as disciplinas que estou cursando, fiz reuniões e preparei documentos para/na Atlética, conversei com as pessoas, fui em festas da Atlética e de amigos, saí com a minha mãe, dei aula de português para estrangeiros, fui nos grupos de estudo. Li mais livros nessas semanas do que em vários meses juntos. E enquanto eu estava (e, sendo sincera, ainda estou um pouco) uma bagunça por dentro, apenas uma pessoa percebeu que não estava tudo bem comigo como eu dizia quando perguntavam. Nessas semanas eu tive a impressão de que ninguém realmente te vê. Ninguém presta atenção até ser tarde demais -- estamos preocupados demais com a competição da vida acadêmica, com os próximos crushs que podemos conquistar, com o nosso umbigo. No meu caso ainda há a questão de eu ser tímida demais, reservada demais, quieta demais -- ninguém nunca percebe quando o silêncio fica incomum.

isso é um pouco alarmante, para dizer o mínimo.

mas não há muito o que fazer. Sempre achei que desabafar é uma das melhores saídas para as emoções que sentimos -- amor, dor, desejo, angústia, medo, tristeza, ansiedade... tudo. E eu desabafei, aqui, agora, com você, com algumas lágrimas, com uma outra pessoa. Estou escrevendo este post hoje porque você pode estar passando a mesma coisa e queria te dizer que, se quiser, pode conversar comigo. Eu não mordo e sou uma boa ouvinte -- e às vezes conselheira também.

eu continuo ansiosa. Muito. Eu continuo ficando estressada por coisas ínfimas. Eu continuo ficando estressada por coisas que não consigo fazer parar (por mais que elas precisam parar). Mas também continuo respirando e vivendo e fazendo tudo o que preciso fazer. Esses dias longe me fizeram bem, estou voltando a assistir doramas, estou voltando a postar aqui, estou voltando a ter uma parte de mim mesma que não aguentou a sobrecarga. Todos precisamos de um tempo às vezes.

antes de terminar, vou deixar a pergunta: a culpa é minha que ninguém percebeu? a culpa é minha que todas as vezes que me perguntaram se eu estava bem eu respondi que sim porque não via razão em dizer que não no meio de muita gente? a culpa é minha por me sentir solitária? a culpa é minha por me sentir um braço a mais no grupo sem nunca realmente fazer parte? pode ser que sim, mas eu parei de querer saber. Decidi que não importa mais, que o que importa é tentar ver alguma coisa boa em cada dia e continuar. O que importa é que continuamos respirando. Eu, você e mais todas aquelas pessoas com quem nos importamos.

eu volto em breve, prometo.

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