Doki Livros | Mulher-Maravilha: Sementes da Guerra, Leigh Badurgo

sexta-feira, novembro 17, 2017

Eu tenho esperado por esse livro há tanto tempo que quando finalmente consegui o meu exemplar fiquei sem reação. A Mulher-Maravilha sempre esteve entre as minhas heroínas preferidas e quando comecei a ver as fotos e posts sobre Sementes da Guerra fiquei muito ansiosa para saber o que a mente genial da Leigh Bardugo havia preparado.


Tinha altas expectativas para a narrativa de Bardugo -- drama, mitologia grega, ação, talvez morte e um pouco de romance (o que realmente teve) --, mas fiquei surpresa por termos muito mais do que isso na trama. A primeira surpresa foi Alia, a personagem grega-afroamericana que nos ensina que o poder da amizade feminina é imenso e não pode ser impedido por nada no mundo (de uma forma geral, amizade é um tema muito importante nessa história). A segunda surpresa foi a força dos personagens e suas relações, tudo suportado de forma maravilhosa pelos diálogos criados pela autora -- é através dos diálogos que percebemos as dinâmicas (de aquecer o coração, divertidas e emocionantes) entre os personalidades. Pessoalmente não esperava me divertir tanto durante a leitura e nem sentir tanta emoção através das linhas -- gratas surpresas, se devo chamar de alguma coisa.


Bem, para eu poder falar mais sobre os personagens e minhas impressões sobre eles, primeiro preciso refrescar sua memória para a história deste livro. Aqui temos Alia à bordo de um navio perto da ilha onde Diana e as amazonas vivem quando uma bomba detona. Diana salva Alia do navio, mas logo descobre que isso pode levar ao desastre tanto do mundo humano quanto do mundo das amazonas porque a guerra e a morte seguem Alia onde quer que ela vá. Assim temos o ponto principal da trama: Diana quer salvar o mundo e mudar o destino de Alia, para isso elas procurarão uma forma de salvar a todos -- o que envolve uma certa Helena de Troia -- e sairão de Themyscira para Nova Iorque e para o sul da Grécia, tendo a ajuda do irmão de Alia e seus amigos, Nim e Theo, ao longo do caminho.

Com a sua memória refrescada, posso voltar às considerações sobre a história.

O que achei realmente refrescante na trama foi ver a multiplicidade de personagens de diversos lugares do mundo, quase todos os personagens principais não são brancos ou europeus. Temos Diana, obviamente, mas temos também Alia e seu irmão gregos-afroamericanos, temos o brasileiro Theo e o indiano Nim (personagem simplesmente maravilhoso). E é com detalhes assim que a autora consegue fazer a história ser de todos os personagens, não apenas de Diana (que, não há dúvida nenhuma, é uma personagem maravilhosa e obviamente mais do que necessária) -- cada personagem é importante de sua própria forma, cada personagem é inesquecível por seu próprio mérito.

Mas deixe-me falar um pouco mais de Alia, a Semente da Guerra. Ela é praticamente um imã para o conflito e derramamento de sangue, mas é também uma personagem tão bem desenvolvida, praticamente um raio de sol que é impossível não gostar. Ela tem a decisão consciente de não se enconder mais, de acolher quem ela é, seu potencial de forma integral depois de todo o tempo ter que se dividir em pedaços para manter os outros inteiros e foi simplesmente tão inspirador e emocionante acompanhar essa mulher que tudo o que eu queria era não acabar a leitura nunca.

Um ponto importante que faz este livro se destacar dentro todos os outros deste ano é sua ênfase no valor da amizade entre mulheres, é raro encontrarmos uma trama que realmente preza a amizade feminina pelo o que ela é, sem ser superficial ou ciumenta ou malvada ou egoísta e, principalmente, sem ser usada como uma forma da protagonista conversar [uma e outra vez] sobre seu interesse amoroso. Aqui a amizade é essencial. Sem estar presa a um amor romântico. Aqui temos um amor incondicional, um amor entre amigos -- a atenção geralmente voltado ao romance foi voltada à forma como as amizades são uma maneira mais libertadora e capacitadora de amar.

Diana, Alia e Nim compartilham de uma amizade tão forte, saudável e mutuamente gratificante que somos tomados por uma carga de emoção esmagadora durante a leitura (é mais do que gratidficante ver esse tipo de relação). É uma amizade feroz e eles acreditam agressivamente um no outro, se defendem e acreditam que o outro merece o mundo.

E é claro, não posso terminar esta resenha sem falar do plot twist. Temos um plot twist perfeitamente engendrado por Leigh Bardugo (e se você já leu algum de seus livros sabe do que etou falando) que foi simplesmente... sem palavras. Foi no momento ideal e simplesmente encaixou em todo desenvolvimento desenrolado na trama. Ainda assim, sem palavras -- e sem spoilers.

O final do livro foi simplesmente especial porque vemos que todas as experiências que acompanhamos os personagens passarem serviram para ajudar a transformá-los em novas pessoas, melhoradas pessoas -- o que significa um desenvolvimento de personagens efetuado de forma magistral. Há ainda a sugestão de que poderia haver outra história para a Mulher-Maravilha no futuro e eu só posso ficar aguardando e tendo esperança de que realmente haja mais de Diana por vir, porque nossa heroína tem muito mais a ensinar e viver.

Resenha escrita por Vitoria Doretto e publicada originalmente no site Up!Brasil.

Até breve! 

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