Eu tenho 25 e está tudo bem

sexta-feira, setembro 22, 2017


Tecnicamente eu chego ao 1/4 de século amanhã de manhã, mas como não posto aos sábados... resolvi adiantar o texto-reflexão de hoje. Porque, convenhamos, 25 é uma idade boa para isso. Desde que IU lançou Palette, eu tenho pensado bastante em tudo o que aprendi ao longo dessas primaveras e invernos que passei, por isso, o meu texto de hoje é "guiado" por algumas de suas estrofes (posso chamar um trecho de uma música de estrofe como na poesia? haha). Ah, enquanto lê este post, sugiro que você acompanhe a minha trilha sonora preferida:


Primeiro, vou te indicar três livros com personagens principais com mais de 20 anos -- afinal, a ocasião faz o tema do post, não é mesmo? --, porque não é só de literatura adolescente que o nosso coração precisa.

1. Alta Fidelidade, de Nick Hornby

Rob é um sujeito perdido. Aos 35 anos, o rompimento com a namorada o leva a repensar todas as esferas da vida: relacionamento amoroso, profissão, amizades. Sua loja de discos está à beira da falência, seus únicos amigos são dois fanáticos por música que fogem de qualquer conversa adulta e, quanto ao amor, bem, Rob está no fundo do poço. Para encarar as dificuldades, ele vai se deixar guiar pelas músicas que deram sentido a sua vida e descobrir que a estagnação não o tornou um homem sem ambições. Seu interesse pela cultura pop é real, sua loja ainda é o trabalho dos sonhos e Laura talvez seja a única ex-namorada pela qual vale a pena lutar.
Este é um romance sobre música e relacionamento, sobre as muitas caras que o sucesso pode ter e sobre o que é, afinal, viver nos anos 1990. Com rajadas de humor sardônico e escrita leve, a juventude marinada em cultura pop ganhou aqui seu espaço na literatura. Ou, como escreveu Zadie Smith, “Hornby levou o romance inglês de volta a suas raízes perdidas. Nos ajudou a lembrar que nem todos os livros precisam falar dos quinhentos anos de história pós-colonial, [...] podem falar da alma de um homem, sua casa e como ele vive nela, das ruas por onde anda e das pessoas que ama”. Este é um retrato do homem contemporâneo sem ruídos, um retrato em alta fidelidade.

2. Bonsai, de Alejandro Zambra

Bonsai é a história de um amor, o de Julio e Emilia, e é a história do fim deste amor. É também uma história sobre a consciência do fim. E não apenas para Emilia e Julio, “jovens tristes que leem romances juntos, que acordam com livros perdidos entre as cobertas”, mas para nós, leitores, que na primeira linha desta história falsamente simples recebemos a notícia: “No final ela morre e ele fica sozinho”. Romance de estreia do chileno Alejandro Zambra (1975), Bonsai coloca em cena dois estudantes de Letras, suas leituras, encontros e desencontros.

3. Matéria Escura, de Blake Crouch

*já falei desse livro aqui!*
"VOCÊ É FELIZ COM A VIDA QUE TEM?" Essas são as últimas palavras que Jason Dessen ouve antes de acordar num laboratório, preso a uma maca.  Raptado por um homem mascarado, Jason é levado para uma usina abandonada e deixado inconsciente. Quando acorda, um estranho sorri para ele, dizendo: "Bem-vindo de volta, amigo."

Neste novo mundo, Jason leva outra vida. Sua esposa não é sua esposa, seu filho nunca nasceu e, em vez de professor numa universidade mediana, ele é um gênio da física quântica que conseguiu um feito inimaginável. Algo impossível. Será que é este seu mundo, e o outro é apenas um sonho? E, se esta não for a vida que ele sempre levou, como voltar para sua família e tudo que ele conhece por realidade?

Com ritmo veloz e muita ação, Matéria escura nos leva a um universo muito maior do que imaginamos, ao mesmo tempo em que comove ao colocar em primeiro plano o amor pela família. Marcante e intimista, seus múltiplos cenários compõem uma história que aborda questões profundamente humanas, como identidade, o peso das escolhas e até onde vamos para recuperar a vida com que sonhamos.

Agora vem a parte reflexiva do post.

Palette traz em seu refrão: "I like it I’m twenty five | I know you like me | I got this I’m truly fine | I think I know a little bit about myself now" e, pensando bem, este é realmente o sentimento que tenho. Gosto de ter a idade que tenho, me sinto confortável [como nunca antes] na minha pele (com cabelo castanho, vermelho, azul, roxo ou rosa; com coxas grossas, com óculos com lentes grossas...) e finalmente sei um pouco mais profundamente sobre mim mesma. Pela primeira vez desde os dezoito anos, realmente sinto que cresci por dentro. Veja, eu finalmente estou terminando a graduação, depois de seis anos encontrei o que gosto de verdade na minha área e descobri que eu posso sempre estar naquela área de intersecção entre dois temas e abraçar "o melhor dos dois mundos".

Também parei de me importar com as opinões alheias -- como boa libriana, passei boa parte da minha adolescência tentando agradar todo mundo, ser uma garota legal (às vezes até mesmo me esforcei para sempre ser a garota legal que curte x estilo de música), dizer "sim" para tudo, colocar minhas prioridades de lado... mas essa fase passou. Me sinto mais focada do que nunca. Me sinto livre para escrever o que quero, opinar no que entendo, conversar sem sentir pressão em concordar com tudo o que a outra pessoa diz. E se nem todo mundo gostar disso [e de mim], paciência.

Outra estrofe de Palette diz: "Past twenty, not yet thirty | In between, right there | When I’m not a kid or an adult | When I’m just me | I shine the brightest | So don’t get scared when darkness comes". Esses versos me parecem muito certos para o momento, também. Ainda não cheguei aos trinta, então não sou nem uma criança nem uma adulta totalmente, mas é neste momento que posso brilhar o mais intenso que conseguir -- é neste momento que posso começar uma carreira, que posso começar a me estabelecer no mercado, que posso seguir o caminho que desejar. De verdade, posso dizer que sou apenas eu. Mas esse apenas não é ruim, muito pelo contrário, é inspirador e cheio de possibilidades.
~mas não vou escrever mais neste texto para não te cansar, agora quero saber, como você está hoje?

"Still have a lot to say"
Ainda tenho muito para falar. E espero que você esteja por aqui nos próximos anos para conversar comigo sobre tudo o mais que quero falar.

Até breve! 

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