Doki Livros | O Legado de Capitu, Flávio Aguiar

quarta-feira, julho 26, 2017

Acho que antes mesmo de ler a sinopse, o que me chamou atenção neste romance policial de Flávio Aguiar foi seu título. "O Legado de Capitu" traz uma carga de significados e ideias associadas tanto ao romance de Machado de Assis quanto aos diversos outros trabalhos que vieram depois dele, que me deixou bastante curiosa -- afinal, por permanecer um mistério, Capitu é uma das personagens mais emblemáticas da literatura brasileira.


Então, imagine a minha surpresa ao ler na sinopse que um professor especialista em Machado de Assis deveria ajudar a Agência Brasileira de Inteligência em uma trama super complexa -- veja bem, eu sou uma graduanda em literatura e tenho um professor que é especialista em Machado, isso é interessante para mim em diversos níveis, ainda mais quando penso em uma obra com espaço canônico e espaço associado (não vou me aprefundar nesta questão aqui porque o foco é a resenha do livro, mas se um dia você quiser sabere mais sobre espaço canônico e associado, me chame para conversar, eu estudo isso 😊).

Enfim, a trama de Flávio Aguiar é muito inteligente. Edmundo Wolf, o especialista em Machado que vive em Berlim, vai ajudar um agente da ABIN, Aroeira, numa investigação envolvendo um senador, um deputado federal, um jornalista desaparecido e alguns maçons. Como primeira impressão parece uma salada mista, não é mesmo? Mas quando paramos mais detidamente para analisar o enredo, percebemos situações e possibilidades bastante realistas -- afina, nós bem sabemos que um senador ser chantageado por um deputado não é nada impossível.

Assim, às voltas com as investigações (afinal, é preciso saber qual o grande segredo do senador, onde foi parar o jornalista e o que é, finalmente, o legado da Capitu), acompanhamos o professor aposentado em uma análise de Dom Casmurro, seus personagens e nomes conhecidíssimos do amante da leitura (como Sherlock Holmes).


Um ponto que sempre me chama a atenção é a construção dos personagens. Aqui me pareceu que os persoangens foram bem construídos, nenhum deles (pelo menos dos que aparecem sempre) são planos ou dispensáveis e as descrições, tão necessárias para a formação da imagem na mente do leitor, favorecem não só o ritmo da narrativa, mas também

Pessoalmente achei a leitura muito agradável. Sempre fico com um pouco de receio quando os autores envolvem personagens tão importantes para a formação da nossa literatura em outras novas, mas neste caso me vi muito envolvida e satisfeita com o final. A escrita de Flávio não tem rodeios desnecessários, sua forma de contar uma história é fluída e no ponto certo -- nada me pareceu fora do lugar na cena que foi montada para esta narrativa, as tramas paralelas ao acontecimento principal foram bem encaixadas (até mesmo o romance que aparece [e que eu não estava esperando])


Até breve! 

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