Doki Livros | Sonata em Punk Rock, Babi Dewet

sexta-feira, novembro 11, 2016

Postei a resenha de Sonata em Punk Rock no Up!Brasil há alguns dias (você pode ler clicando aqui), mas como gostei muito desse livro -- e sempre posso escrever uma ou outra linha a mais sobre coisas que eu gosto, resolvi escrever um resenha "nova" por aqui. Você pode ler as duas ou uma delas, a minha opinião é a mesma nesses dois textos, a diferença está nos detalhes de cada uma. Vamos lá?

essa capa <3
Em Sonata em Punk Rock conhecemos Valentina, Tim, uma adolescente que tem a vida transformada quando descobre que possui ouvido absoluto e que seu pai, aquele que abandonou sua mãe e ela muitos anos atrás, é um violinista muito famoso e está disposto a pagar seus estudos na Academia Margareth Vilela, um conservatório incrível onde ela acabou de ser aceita como aluna.

As coisas começam a esquentar quando, na Academia, Valentina começa a perceber que conhece muito pouco de música, além do seu amado punk rock. É aí que ela precisa começar a se empenhar para provar a si mesma que tem sim um lugar ali e que tem muito talento, sendo como a garota punk rock de sempre ou como uma pianista aprendiz cheia de potencial. Para isso ela conta com a ajuda de pessoas muito diferentes de si mesma, seus novos amigos (e companheiros de banda), Sarah, Pedro e Fernando -- ela tem a ajuda também, é claro, de Kim, o pianista-super-lindo-e-talentoso-coreano-arrogante-filho-da-dona-da-escola que por acaso também é o crush da nossa protagonista.

A premissa da história é simples, mas são seus detalhes que nos cativam. A autora colocou muita música envolvendo a narrativa -- já no título se percebe isso --, seja nos títulos de cada capítulo, seja no desenvolvimento da história em si (até porque, com uma história ambientada em uma escola para músicos, não teria como ser diferente, não é?), e soube bem como deixar a trama consistente e envolvente, com bom ritmo narrativo e personagens divertidos.

E agora que eu já fiz um resumo -- bem resumido mesmo -- da história, posso começar a falar um pouco dos personagens desse primeiro volume de Cidade da Música.

cada capítulo possui o título de uma música
Comecemos com a protagonista, Valentina. A Tim é uma personagem bastante interessante -- percebi isso esses dias -- porque seu processo de amadurecimento possui toda aquela raiva não-tão-reprimida que os adolescentes possuem. Quando a história começa, ela estava disposta a enfrentar o mundo, mas não queria ser modificada por ele, o que realmente é muito difícil. Na sua teimosia (seria essa a palavra?) em se manter fiel ao punk rock, ela acaba fazendo alguns julgamentos das pessoas, das músicas e da própria Academia sem se abrir de verdade para o novo. É quando ela começa a perceber que nem tudo é exatamente do jeito como imaginou (nem as pessoas, nem a música clássica...) que ela começa a amadurecer. E a ser mudada pelo mundo. Porque todas as suas experiências moldam quem ela é -- quem todos somos. Tim é diferente das personagens de romances que estamos acostumados, ela é mais agressiva -- e mesmo que em alguns momentos seus comentários sobre a música clássica ou sobre as pessoas da Academia sejam cansativos, o caminho que ela trilha até a última página é bem construído e o leitor sente que valeu  a pena.

Depois de Valentina, temos Kim. Ele é o filho adotivo da diretora da Academia. Coreano. Lindo. Talentoso. Rico. Com personalidade terrível. Resumindo, ele poderia muito bem ser um personagem de dorama. Todas as suas cenas envolvem ou sua saúde ou Tim, ou os dois, de uma forma ou de outra. Achei bastante sensível a autora relacionar o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) de Kim com o seu relacionamento com a Tim, apesar do TDAH não ter sido aprofundado, eu entendo que não é necessáriamente o papel do romance discutir sobre isso, mas sim (e principalmente) dar abertura para a discussão, levar o leitor a pesquisar mais sobre o que é -- foi o que eu fiz, por exemplo. No início da trama, quando Kim apareceu, eu pensei estar lendo um dorama -- o tratamento que ele dispensa aos amigos e demais alunos da Academia, e principalmente a forma como ele trata Tim, me fez lembrar do Tsukasa em Hana Yori Dango (e suas quize milhões de outras versões, Boys Over Flowers/Boys Before Flowers) e quase fiquei esperando uma passagem com eles brigando no refeitório --, mas ele não é apenas o sonho coreano de mais da metade da população da Academia. Seu talento como pianista é mais do que reconhecido e é ele quem ajuda Tim a aprender e se superar. Sua personalidade é um tanto egoísta, sim, mas isso não é um problema porque apenas tempera ainda mais a mistura da história. Eu ficaria mais do que feliz com mais algumas páginas dele.

Não posso deixar de falar também do trio-parada-dura Sarah, Fernando e Pedro. Os três são uns amores. Sarah é a primeira pessoa a realmente se aproximar de Tim na Academia e é também a responsável por apresentá-la a Pedro e Fernando. Os três fazem parte de uma banda,  mas precisavam de mais uma pessoa -- adivinha quem é? Juntos, eles têm altas discussões sobre, por exemplo, quem é o melhor vilão de todos os tempos (quem é? você vai ter que ler para saber a opinião deles), e se divertem bastante. Provavelmente eles são os responsáveis por todo o carinho que eu tenho por esse livro porque eles me lembraram de pessoas queridas -- algumas nem estão mais perto de mim.

Eu queria escrever ainda mais, mas acho que essa resenha já está grande o suficiente. Então, vou escrever só mais uma ou duas coisinhas.

A história de Sonata em Punk Rock é muito bem dosada -- tem a quantidade certa de romance, a quantidade certa de passagens divertidas, a quantidade certa de temas importantes a serem explorados... -- e também possui ritmo constante. Não é uma leitura cansativa, sua linguagem não tem segredos e suas indicações musicais são da mais alta qualidade. Gostei muito da forma como a autora foi resolvendo "os problemas" da narrativa, levando para um final que é conclusivo para uma etapa da vida dos personagens, mas também não tão conclusivo assim.

Essa é uma história sobre correr atrás dos seus sonhos, que é o que todos nós deveríamos fazer. Resumindo, essa seria uma história que, se o S. me deixasse viver um pouco mais, eu escreveria uma fanfic com os personagens -- e, veja bem, eu não escrevo fanfics há eras, então entenda que isso é muito grande.

Até breve! 

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12 comentários

  1. Olá,
    Adorei saber suas impressões sobre a obra. Ainda não conheço a escrita da Babi, mas estou muito curiosa.
    Sou apaixonada por tramas que envolvam música e essa parece ter uma carga bem grande do assunto já começando pelo título como você bem disse.
    Fiquei intrigada com a personalidade de Kim e seu talento também e quero conferir como ele irá auxiliar Tim em seu aprendizado e amadurecimento como pianista.

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Michele!
      Ai, quando você tiver tempo, super leia Sonata e também a trilogia SAN! A escrita da Babi é muito boa e suas histórias são muito envolventes <3

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  2. Oi, Vitória!

    Não conhecia a autora mas já vi esse livro circulando pelas redes sociais. Acho a capa dele linda e esse gênero que envolve música e romance sempre me agrada. Adorei sua resenha, me tirou várias dúvidas! Vou adicionar esse lindo à minha lista, obrigada pela dica!

    Sucesso com o blog sempre!
    Beijos, Belle.
    floraliteraria.blogspot.com

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    1. Opa, que bom Belle!
      Essa capa é lindona mesmo <3 Depois que tu ler, me conta o que achou também! :D

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  3. Olá!
    Eu já li dois livros da Babi que foram os primeiros da trilogia Sábado a Noite. Gosto muito da forma que ela escreve e assim como a música é muito presente neles, esse não parece ser diferente. Gosto muito de leituras adolescentes e saber que a autora dosou bem o romance, a diversão e os temas importantes me deixa ainda mais empolgada para essa leitura.
    Beijos.

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    1. Oi, Thalita!
      SAN também é ótimo, né? gosto muito do estilo de escrita da Babi também! :D

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  4. OOi!
    Nunca li nada da autora, mas olha, morro de vontade. Esse mesmo está na minha lista! Parece ser uma história bem divertida e envolvente. Espero ter a oportunidade de lê-lo em breve!
    Beijoos!
    http://estantemineira.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Catrine!
      Tomara que tu possa ler em breve! a história é ótima! :D

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  5. Impressão minha ou essa autora já tem outro livro que também envolve música?
    Não tinha lido nenhuma resenha sobre esse ainda, mas achei a história bem leve e divertida. Daria roteiro de filme pelo visto...
    Apesar dos elogios, não é tanto o tipo de leitura que estou procurando no momento, mas valeu conhecer :)
    Beijos!

    ourbravenewblog.weebly.com

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    1. Sim, sim, a Babi também é a autora de Sábado à Noite que também tem música na trama :)

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  6. Não é bem o tipo de livro que me atrai, mas essa capa é tão amorzinho que dá vontade de ter na estante!
    Gostei de saber que o livro é bem dosado em tudo, uma das coisas que mais me irritam é livro pender muito pro romance, sempre acho melhor quando as coisas são equilibradas.

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    1. Oi, Nathalia!
      Ai nem me fale, essa capa é maravilhosa :D

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