Dois destaques de agosto no e-galaxia

sexta-feira, setembro 02, 2016

e-galáxia
Hoje eu quero mostrar para você dois livros que o pessoal do e-galáxia me apresentou no final de agosto -- "O Capricórnio se Aproxima" e "Mil Tons - O meu Millôr". Se você ainda não sabe, o Doki Doki agora é um dos parceiros do e-galáxia e todo mês irei te apresentar alguns dos títulos disponíveis em seu catálogo. Então, sem mais delongas, vamos ao que interessa:

O capricórnio se aproxima, de Flavio Cafiero
essa capa é bem legal, não é não?
“Vender enciclopédias”, “trabalhar em banco”, “comer pudim de pão”, “fazer aula de violão” e, finalmente, “ser de capricórnio”. Códigos familiares para assuntos proibidos para as crianças. É percorrendo esse mapa congestionado da linguagem que o leitor vai compreendendo lentamente o enredo cheio de humor e melancolia de “O capricórnio se aproxima”, do carioca Flavio Cafiero.A personagem principal é João, um taxista que tenta se entender com as novas tecnologias exigidas pela profissão e com a necessidade de aprender inglês por conta da Copa do Mundo no Brasil. Porém, mais difícil do que operar um sistema de GPS ou arriscar um Go on, são as relações familiares, que podem parecer banais apenas para quem as vê de fora. Mas aos poucos vamos nos reconhecendo no cotidiano da família de João através de referências escolhidas com muita agudeza por Cafiero: programas de televisão, jogos de futebol, xingamentos, nomes próprios e comidas típicas. Algum detalhe fisga o leitor.Surge então um outro mapa: o da cidade do Rio de Janeiro. E assim como o da linguagem, aqui há regras, sentidos obrigatórios, congestionamentos e riscos de acidentes. Os mapas da linguagem e da metrópole se sobrepõem criando camadas de significado.Quando criança, João aprendeu que há palavras que não se pronunciam. Assim como há caminhos que se deve evitar. Mas sonhos, desconfianças, boatos e toda a confusão gerada pela trama densa da linguagem, levam o protagonista a um desfecho dramático. E em alguma medida, patético.“O capricórnio se aproxima” é o primeiro livro do Selo JOTA, que tem coordenação e curadoria de Noemi Jaffe. A ideia original desta coleção partiu do pioneiro e consagrado Oulipo, grupo de escritores entre os quais se incluíam Italo Calvino, Raymond Queneau e Georges Perec. Todos os livros do JOTA partem de um desafio, de restrições narrativas que, por paradoxal que pareça, atuam de maneira a incrementar o texto ficcional.A linguagem como jogo e a arte como forma. Dois pressupostos que orientam este primeiro livro do JOTA e orientarão os próximos. Libertar a narrativa do lugar confortável da verossimilhança. Provocar no leitor certa desconfiança em relação aos caminhos prontos da linguagem que orientam suas vidas. Percorrer a cidade do Rio de Janeiro e os códigos da linguagem com o João taxista de Cafiero, deve nos lembrar que não há rota segura nesta vida (mesmo com GPS), seja trilhando os caminhos das cidades, das relações pessoais ou da linguagem.

Sobre o Autor
Flavio Cafiero nasceu no Rio de Janeiro em 1971. Com formação publicitária, trabalhou 12 anos como gerente de produto, tendo recentemente trocado a carreira de executivo pela de escritor. É também ator, dramaturgo e roteirista. “O frio aqui fora” (Cosac Naify, 2013) seu primeiro romance foi finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura. | Compre aqui

Mil tons -- O meu Millôr, de Alberto Villas
essa capa também é ótima!
Mil tons O meu Millôr é uma biografia singular. Já no título podemos notar a marca da subjetividade. O jornalista Alberto Villas acompanha a trajetória de Millôr desde O Cruzeiro, quando Villas ainda era uma criança vivendo em Minas Gerais. Nunca deixou de seguir os passo de Millôr: de Paris ou de São Paulo, recortando as páginas do humorista nas revistas Veja, IstoÉ, O Pasquim e em diversos jornais.Nesta biografia afetiva encontramos o gênio de Millôr Fernandes por inteiro: desenhista, tradutor, frasista, dramaturgo, poeta, fabulista e, principalmente, um grande humorista. Também conhecemos uma geração fortemente influenciada por sua pena. Nos momentos mais duros da história recente brasileira, lá estava o humorista carioca aliviando a barra de uma geração que sofria com as privações impostas pela ditadura militar. Acompanhamos também a redemocratização do Brasil, os anos FHC e a chegada do PT ao governo. Nesse movimento de se colocar como interlocutor do biografado, sem com isso abrir mão do rigor bibliográfico, Alberto Villas toca em um dos pontos mais sensíveis da crítica cultural atual: a recepção das obras. Este é também um livro de história do Brasil. Incomum. Os fatos do país e do mundo estão filtrados pela forma que toda uma geração leu, riu e consegui tocar em frente, graças às tiradas semanais de Millôr Fernandes. Como diz o autor do livro: “O meu Millôr que apresento neste livro é uma figura única. Se surgir algum parecido, recuso imitações.”Com prefácio de Paulo Werneck, curador da FLIP na ocasião em que Millôr Fernandes foi o homenageado principal do evento.

Sobre o Autor
O jornalista Alberto Villas nasceu em Belo Horizonte em 1950. Formado em Paris, onde viveu por seis anos, colaborou com quase todos os jornais alternativos da época. Em 1980 voltou para o Brasil, onde trabalhou em O Estado de S. Paulo, Rede Bandeirantes, SBT, TV Manchete e Rede Globo de Televisão. Em 2006 lançou o seu primeiro livro, O mundo acabou! (ed. Globo). É também autor de Afinal, o que viemos fazer em Paris? (ed. Globo), e Mil tons (e-galáxia). | Compre aqui

Até breve! 

You Might Also Like

0 comentários

Obrigada por passar no Doki Doki :) A sua visita é muito importante para mim. Gostou de alguma coisa? Não gostou? Me conte! ;)

Editora parceira

Editora parceira

Editora parceira

Editora parceira

Editora parceira

Subscribe