Uma ação pode mudar o seu mundo

quarta-feira, abril 20, 2016

Eu não costumo contar muito sobre a minha vida cotidiana aqui no blog (um, porque meu Instagram está aí para isso; dois, porque meu Snapchat também está aí para isso), salvo um post ou outro quando participei do #100happydays e de pontos específicos sobre mim, mas algumas vezes... Algumas vezes eu sinto que é necessário falar sobre algumas coisas. E ao contrário do que acontece várias vezes quando quero escrever alguma coisa que não envolve necessáriamente livros e doramas, dessa vez julgo importante demais para não ser escrito. Dessa vez, vou falar sobre como uma ação, que parecia bem pequena, mudou bastante as minhas últimas semanas.

Imagem: Waldeck Schützer (link)
Para quem não se lembra (ou não sabe mesmo), eu estudo na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e estou no quinto ano de Letras. O campus em São Carlos da minha querida federal fica na rodovia Washington Luis (quilômetro alguma coisa) e possui uma vasta área verde e bonita que costuma encantar os alunos -- o lago da federal foi uma das razões que me fizeram escolher ficar aqui, afinal de contas. Mas uma coisa incômoda acontece há vários anos por aqui: a violência contra os universitários. Eu não vou entrar nessa questão de forma profunda -- você só precisa saber, nesse momento, que nós, tanto da federal quando da USP, somos visados por ladrões, golpistas e todo o resto como qualquer outra pessoa, mas pela maioria viver ao redor dos campus e, querendo ou não, perto uns dos outros, "nossos bairros" são marcados. Sabendo disso, tentamos tomar cuidado.
A questão que impulsinou certas atitudes "novas", no entanto, é um pouco mais séria do que o medo de todo dia de ser assaltado. É que de janeiro para cá, o número de tentativas de estupro, assalto e assédio contra mulheres ao redor tanto do campus da USP (região em que eu moro) quanto da UFSCar (região que amigos meus moram) cresceu muito e assustadoramente.
Não saem tantas notícias sobre os casos, mas você pode conferir uma clicando aqui e/ou aqui e outras clicando aqui ou aqui.
Essa situação chegou em um nível insustentável. Para nos prevenir e espalhar as notícias e avisos ("atenção, meninas, tem um cara assim e assim perseguindo as meninas no lugar x"; "tem uma mulher estranha pedindo dinheiro e ela jogou uma garrafa com xixi em mim!"; "um homem de roxo está escondido numa construção e perseguindo e xingando moças"; "de manhã, um homem me agarrou e..."), nós temos vários grupos no Facebook (um geral da universidade, um sobre assaltos, um para questões de moradia e mobília, etc.) e é sobre um desses grupos que vou comentar hoje, porque querendo ou não, esse grupo me fez abrir os olhos.
Resumindo a história, uma moça muito legal teve a ideia de criar um grupo -- tanto no Facebook quanto no WhatsApp (no WhatsApp são vários grupos, para as várias regiões -- um da Cidade Jardim para a UFSCar, um do centro para a UFScar, etc.) -- para as moças oferecerem e procurarem caronas -- no meu caso, do bairro Cidade Jardim para a federal e da federal para a Cidade Jardim. (É claro que sempre aparece uma pessoa que não consegue perceber que o mundo não gira em torno do seu umbigo e reclama sobre o grupo ser "só de meninas", mas relevamos isso e seguimos em frente.) Agora, por que um grupo apenas com mulheres? Veja bem: nós temos medo, sim, de pegar carona com estranhos. Nem todos os homens são ameaças em potencial, mas na atual situação... todo cuidado é pouco e ter uma companhia a mais para ir e/ou voltar da universidade é muito bom. Mas deixando essa questão de lado, vamos ao que interessa.
Sororidade.
Você provavelmente conhece o movimento "Vamos juntas?" (vou comentar sobre o livro mais tarde, também, prometo! -- só preciso terminar de ler antes disso) e deve saber que ele começou como um movimento para as mulheres andarem juntas (hoje é muito mais do que isso, é um movimento e uma comunidade sobre "estar juntas") -- e é mais ou menos isso o que queremos com as caronas. Estarmos juntas.
O grupo no WhatsApp começou há mais ou menos duas semanas e além das meninas procurarem e oferecerem caronas, também são feitos grupos para voltar ou ir para a universidade andando -- eu fui e voltei de carona algumas vezes e algumas outras também fui andando e a experiência é bem diferente da de ir andando (ou mesmo de ônibus) sozinha. Quando estamos juntas o medo diminui -- ainda mexem com a gente na rua? Sim, porque nem todo mundo entendeu o ponto da campanha "Chega de Fiu-Fiu", mas ainda assim temos a sensação de que os homens que estão rondando os bairros não vão se aproximar de um grupo.
Essa atitude mudou bastante os meus dias. Eu passei a ficar mais atenta -- o que sempre fui, mas sem querer acabei ficando com aquela sensação de "não vai acontecer" (mesmo já tendo sido assaltada perto de casa no segundo ano da universidade) -- e a me preocupar com outras moças. Eu não dirijo, então não posso oferecer carona, mas sempre que estou saindo da universidade vejo se alguém quer companhia para voltar para casa -- andando, de ônibus ou até mesmo de carro.
São ações que parecem pequenas, mas mudam o mundo de cada uma das pessoas envolvidas.

PS: O "Vamos Juntas? O guia de sororidade para todas" está disponivel para você comprar nas livrarias espalhadas pelo pais, mas você pode comprar o seu clicando aqui.

Até breve! 

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2 comentários

  1. Oi
    Achei legal a ideia seria interessante se tivesse isso na cidade que morei e que a minha irmã mora atualmente, no primeiro ano de faculdade eu morava longe da facul e ia a pé e sozinha morria de medo, pois sai 22:00 e dava um medo e realmente quando se está acompanhada a situação é diferente as vezes eu tinha sorte de encontrar algumas pessoas que indo ai a gente voltava junto e a experiencia era diferente, depois fui morar mais perto da faculdade duas quadras, mas agora para a minha irmã era bom, ela mora longe da faculdade, tem que pegar ônibus sozinha e o ponto fica 10 quadras da casa dela, esses dias uma garota foi estrupada no campus da faculdade que ela estuda, na verdade a menina é da faculdade vizinha eles só que os campus dividem a biblioteca e foi perto da biblioteca que pegaram, o suspeito até foi preso. o medo da minha irmã aumento ela falou que um dia ficou até as 19:00 esperando o ônibus no escuro e sozinha.
    Iniciativas assim são bem legais.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim! sei como é isso! minha aula acaba vinte pras onze toda noite, então sempre tudo está fechado (ou fechando) e muito escuro, o que deixa ainda mais perigoso. Acho que vale passar a ideia pras meninas da facul da sua irmã, se vocês tiverem um grupo geral no fb, como a minha tem, fica mais fácil organizar e ter "resultados" (grupos de caronas iguais ao que acontece aqui, etc). :D

      Excluir

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