Nem no silêncio, nem na gritaria

quinta-feira, janeiro 17, 2013

*Sim, eu sei o que você está pensando. No final de semana responderei os comentários e visitarei os parceiros. Mas vamos ao post fora da programação - que é o que esse texto é.


Universidade Federal. 16 de janeiro. Quarta-feira. Assaltaram um dos apartamentos do alojamento na hora do almoço. O apartamento de uma amiga - e mais oito que moram com ela. O ladrão levou três notebooks, uma mochila e outras coisas. Todas estão bem, apesar do susto e da indignação.
O ponto que quero comentar hoje não é o roubo em si - já estou indignada o suficiente para falar ainda mais sobre isso, principalmente quando o homem que roubou falou que om fez para comprar drogas e que "era bom ela continuar estudando para não ficar como" ele. O ponto é a falta de respeito que algumas pessoas dessa cidade tem com os universitários.
Existem 34 comentários - na última vez que eu vi - na notícia sobre o assalto no jornal da cidade, boa parte são de pessoas que falam mal dos estudantes. E um em particular representa a visão de boa parte da população daqui. "Tem que assaltar esses estudantes playboy".


É claro, existem pessoas e pessoas no mundo, mas essa não é primeira vez e nem será a última que verei comentários do tipo. Aparentemente essas pessoas ainda vivem no século passado quando a maioria que entrava nas universidades eram ricos e mimados, mas já está na hora de abrirem os olhos e perceberem que HOJE EM DIA TODOS PODEM E ENTRAM NA UNIVERSIDADE, independente de cor, classe social, religião e qualquer outro "requisito" que insistem em inventar. Se você estudar e se esforçar, você entra. É assim que funciona.
Na minha cabeça não entra esse tipo de pensamento mesquinho e ridículo de que todo universitário é arruaceiro e que tudo o que acontece de ruim tem que acontecer com universitário. Nós somos seres humanos também, temos famílias nos esperando em outras cidades e nos preocupamos com o nosso futuro.
Não é porque bebemos, vamos em festa e nos divertimos que não estudamos. Estudamos, sim, e muito! Porque para não pegarmos DP nem REC, passamos noites em claro estudando, dias e dias repassando a matéria e semanas entendendo um conceito que se interliga com outro e outro e outro. Nada é fácil.
Se acostumar a morar em outra cidade - longe dos pais - não é fácil. Se acostumar com o ritmo de uma faculdade não é fácil. Se acostumar com a comida , que não é a da sua mãe, não é fácil. Aprender a lavar roupa, cozinhar e andar por lugares desconhecidos é amedrontador. E dos mesmo jeito que existem pessoas e pessoas, existem universitários e universitários. Existem universitários que não bebem, nem vão em festas e muito menos fazem qualquer coisa repreensível.
Nós não viemos a passeio.
E colocar a culpa no TUSCA que acontece UMA VEZ POR ANO é fora de questão. Fui no Tusca esse ano, e deixe eu te dizer uma coisa: foi tudo muito calmo.
Tirem os mais de cinco mil universitários dessa cidade e o comércio ficará às moscas. Tirem os universitários e a economia cai. Nós gastamos muito dinheiro aqui, em lanchonetes, bares, cinema, papelarias, confecções - no comércio em geral.
Respeito é bom e a gente gosta. Merecemos esse respeito como qualquer outra pessoa.
Não mudamos de cidade para sermos tratados assim.

Fica registrado a minha indignação. Não é a primeira vez. Mas dessa vez é perto demais para ficar calada. Não é no silêncio que as coisas mudarão. E também não é na gritaria que se ganha uma causa.

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1 comentários

  1. Estou participando de um meme literário e indiquei seu blog para participar também.

    http://escolhiler.blogspot.com.br/2013/01/escolhi-especial-campanha-de-incentivo.html

    ResponderExcluir

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