Burn Your Tongue (Part XII)

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Ah! Mais uma parte do conto ;p E dessa vez é grande! #ha \o/
Eu vou tentar responder aos comentários no sábado...




Eu bem que tentei fugir das escadas, mas mesmo com toda a minha força de vontade, uma hora depois de Lizzy sair da sala, me vi subindo aqueles sete andares com um sorriso de escárnio de Elizabeth. Ajudar Jule com a arrumação da sala de reunião era uma ordem do chefe, não uma sugestão.
Então, pelas próximas três horas, fiquei arrastando cadeiras para todos os lados da grande sala com carpete claro e cadeiras acolchoadas. Quando perguntei o por que de tanto conforto nas cadeiras, Jule riu e disse um “Você vai entender mais tarde”, algo me dizia que não iria querer entender. A melhor parte de toda a arrumação foi passar mais tempo com Elizabeth em seu modo trabalho, nem parecia uma menina que se acabava em festas estranhas e que suspirava por atores de cinema, enquanto andava de um lado para o outro analisando os documentos que havia pego mais cedo, sua postura era completamente diferente, dona de si, com andar firme, eu diria que se alguém passasse em sua frente naquela hora, ela passaria por cima e nem perceberia.

No final da tarde, me vi sendo empurrado para um quarto em tons de azul com uma mochila nas mãos e os gritos de Lizzy.
-Tome um banho e vista o que tem aí. Você tem meia hora! –e saiu em disparada pelo corredor, sem me dar chance de perguntar para onde eu deveria ir depois de me trocar.
Larguei a mochila em cima da cama gigante e olhei em volta, as paredes eram revestidas de papel de parede azul claro e mobília antiga. Em um dos armários havia um porta retrato com uma foto de Lizzy e um outro garoto, que me lembrava Caleb, mas havia algo em seu olhar que não se ajustava a lembrança que eu tinha dele. Era perigoso.
Tomei uma chuveirada rápida e vesti as roupas da mochila, uma camisa social azul escuro e calça jeans preta, tudo do meu tamanho. Jule realmente tinha um bom olho. Me sentei na mesa que havia perto da cama e só então percebi que estava montada uma mesa de café com pães, geléias e sucos, quando pensei em pegar alguma coisa, três batidas apresadas soaram na porta. Era Elizabeth, é claro.
-Que bom que já está pronto! Não temos muito tempo. –entrou toda afobada, me deixando tonto.
-Tempo para que?
-Para comer, criatura! –Quando me virei, ela já estava sentada a mesa e passando uma pasta com cor estranha numa fatia de pão.
-Que coisa é essa? –apontei para o pequeno pote sem rótulo.
-Vegemite.
-Veg... o que? –passei geléia de morango em uma outra.
-Vegemite, Thomaz. –disse, como se fosse a coisa mais normal do mundo e eu soubesse o que era aquilo. –É uma pasta de cevada e outras coisinhas com gosto duvidoso que Caleb me manda. É bom para a pele. –bufou –E meu avô adora.
-E isso é bom?
-Depende do que você chama de “bom”. –arqueou uma sobrancelha enquanto mastigava.
-Minha definição de bom é doce ou na pior das hipóteses, engolível.
-Então é bom. –sorriu e se levantou. –Vamos, devemos estar lá quando os outros chegarem.
Estávamos no décimo segundo andar e a reunião seria no décimo, já me perguntava quando me veria livre das escadas, só de pensar me faltava fôlego. A sala estava impecavelmente brilhando de tão limpa, e devo dizer que não estava assim quando terminamos de organizar as cadeiras – dispostas em círculos e fileiras diante de uma grande mesa oval, onde em cada lugar havia uma pasta preta com o brasão da família Karlin.
Cerca de meia hora depois, um a um, homens vestindo terno sem gravata ou camisa e jeans foram entrando e tomando seus lugares. Aparentemente, cada um sabia qual posição tinha, e como em uma peça ensaiada, seus gestos eram sincronizados e corteses. E todos pareciam saber que eu era o novato, já que me olhavam com curiosidade. Caleb foi o último a entrar, sua roupa verde musgo combinava com a camisete verde escuro que Lizzy vestia, e com um sorriso de quem sabe de tudo, me cumprimentou com um leve aceno de cabeça. Então Elizabeth começou a falar.
-Boa noite a todos. Como a maioria de vocês sabem, sou a sucessora de meu avô nos negócios da família, por essa razão, hoje a reunião será presidida por mim, Elizabeth Karlin, e peço que vocês depositem em mim a mesma confiança que depositaram em meu avô.
-Um viva para 89! –seu primo Aleph gritou, sendo aplaudido por Caleb e alguns outros e recebendo um sorriso envergonhado de Lizzy.
-Bem, depois desse entusiasmado cumprimento, vamos aos negócios.
Mais de quatro horas depois, eu, Aleph e Lizzy saímos da sala – eu morto, ela com um sorriso satisfeito e Aleph, andando entre nós dois, falando ao celular. Sentia minha cabeça um pouco sobrecarregada demais, o volume de informações que recebi na mesma noite foi grande demais, nunca imaginei que os negócios dos Karlin ultrapassasse fronteiras e oceanos. Cada um dos homens que estavam naquela mesa eram responsáveis pelos negócios de um país, ou como eles chamavam, eram responsáveis por um setor dos negócios.
-Caleb juntou umas pessoas no salão da cobertura, vamos lá? –Depois de desligar a ligação, Aleph se virou para nós.
-Na cobertura? –os olhos de Lizzy brilharam. –Parece bom para mim, quer subir Thomaz?
-Subir... quantos lances de escada?
-Nenhum! –Aleph se pendurou nos meus ombros e gargalhou. –Vou te contar um segredo, novato: o elevador só funciona para a cobertura. –Piscou o olho. –Caleb e eu o programamos para só funcionar para um andar: o salão de festas.
-Se é assim, o que estamos esperando? –perguntei, já me animando novamente e deixando o cansaço de lado e fazendo Lizzy gargalhar.
O elevador era espelhado do chão ao teto, Aleph e eu nos encostamos no fundo e Lizzy se apoiou no corrimão que havia nos lados para se olhar no espelho.
-Vou mudar a cor de novo. –disse, procurando alguma coisa em seus olhos.
-Que cor? –Aleph quis saber.
-Ainda não sei, Caleb me disse para ficar morena para ficar uma cópia da minha mãe, mas pensei em passar mais para o vermelho... como a mãe de Joseph... –Ela respondeu, ainda olhando seu reflexo. –O que você acha, Thomaz? Meu cabelo ficar melhor em que cor?
-Assim está bonito. –dei de ombros, cor de cabelo não era a minha especialidade. E Lizzy já chamava a atenção de qualquer um sem fazer esforço, não via para que mudar.
-Bem, veremos. –A porta se abriu e ela saiu na frente. –Bem vindo ao salão de festas de Caleb!
-Como assim de Caleb? É mais meu do que dele. –Aleph esbravejou.
-É o nome dele que está na porta, não me culpe. –deu de ombros e empurrou as maçanetas pretas e redondas das grandes portas douradas em nossa frente com uma placa reluzente dizendo Clube Caleb.
-Ele me enganou, isso não é justo. –Aleph se afastou com um aceno e foi se sentar em uma mesa cercada de garotas magras e ruivas.
-São as namoradas dele. –Lizzy me explicou e me guiou pelas pessoas do lugar. Era um grande salão povoado de mesas redondas e de jogos, cheio de jovens dançando, conversando e apostando pilas de dinheiro. Todos pareciam felizes, menos um pequeno grupo amontoado em um dos sofás perto do bar, eram todos homens, e um deles olhava Lizzy atentamente, quando nossos olhares cruzaram, percebi que eu sabia quem ele era. O homem misterioso que estava no carro com ela uma vez.
Lizzy pareceu não perceber e se o fez não se importou, me empurrando para uma mesa no canto onde um grupo de seis garotas gargalhava alto.
-Meninas! –Lizzy sentou na beirada, me levando junto. –Esse é Thomaz, meu novato. –Sorriu. –Essas são 81, 82, 83, 84, 92 e 93, minhas primas.
-Olá garotas. –sorri e elas gargalharam. Eu não tinha a mínima ideia de quem era quem.
-Ora, Srta. Karlin, minha adorável futura chefe, mande seu garoto se divertir com os outros, Aleph vai dar uma surra nos engravatados da Irlanda, será divertido e ele logo se acostumará com nossas festinhas. –uma das moças falou, eu não sabia se era 81 ou 84, apesar de aparentar ser 93.
-Que tal, Thomaz? Sabe jogar pôquer? –Lizzy arqueou sua sobrancelha perfeita.
-Claro. –Sorri grande. –Qual a direção? –Ela levantou os olhos e apontou para o outro lado, vi Aleph sentado em uma mesa alongando os dedos com um sorriso de vencedor. –Até logo senhoritas.
Nas próximas horas, me vi dividido entre o jogo de Aleph, que realmente estava dando uma surra nos outros, as bebidas com gosto de açúcar que eram servidas e as espiadas que dava periodicamente em Lizzy. Em certo momento a perdi de vista e quase entrei em desespero, se minha saída dali dependesse de Aleph, eu nunca sairia, estávamos indo muito bem como dupla de jogo. Então, quando uma música agitada começou a tocar ensurdecedoramente, vi o grupo de garotas se dirigir para o centro do salão e começar a dançar. Elizabeth no meio. Eu iria enlouquecer. Com o movimento de seus quadris, com seu sorriso radiante, com tudo o que eu escondia sentir por essa garota complicada.
-Vem! –ela me chamou, depois da terceira música acabar. –Anda, Thomaz! –me puxou pela mão e não tive outra alternativa a não ser me desculpar com um olhar com Aleph e a seguir. A música havia mudado e sem que eu percebesse, na minha visão nublada por sua felicidade, ela colocou os braços em meu pescoço e encostou a cabeça em meu peito.
-Gosto de que você seja meu novato. Se fosse outro, não me deixaria ficar assim, dançando. –suspirou e senti seu sorriso.
-Que bom que me inscrevi, então.- Sorri, colocando as mãos e sua cintura fina.
-Sim.
Quando acordei na outra manhã, estava deitado no quarto azul e todo embolado em lençóis e travesseiros. E não estava sozinho.

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3 comentários

  1. "..eu não sabia se era 81 ou 84, apesar de aparentar ser 93." Eu já sou péssima em associar nomes a rostos e pior ainda em guardar qualquer tipo de número. Não culpo Thomaz por ter se enrolado todo com essas primas hahahaha

    Nossa, que final!! Aii, não vejo a hora da continuação!

    Beijos!

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  2. To ansiosa para o proximooooo AMEII
    saudades de ti Vicky...
    beijoss

    ResponderExcluir
  3. Geeeente, finalmente terminei de ler Vicky! ;D
    Nao ficou grande, eu que sempre comecava e tinha que parar -__-
    AFffff...

    Bom, eu to adorando! a coisa ta esquentando :D
    Gostei do jeito da Lizzy! eheheh!

    Preparada pro proximo capitulo :)

    Beijos

    ResponderExcluir

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